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Palavras ao Vento

Fernanda

rennight@hotmail.com

 

 

Capítulo 65

 

Desconfiada com a preocupação intrínseca de Isa quanto às medicações que tomava, observou atenta a entrada da enfermeira em seu quarto, algum tempo depois que ela saiu. Disposta a descobrir o que estava acontecendo consigo e à sua volta, fingiu tomar a medicação.

 

Virou de costas para a enfermeira ajeitando-se na cama, aproveitando o movimento para retirar a medicação da boca sem que a atenta mulher suspeitasse, e como sempre acontecia, fingiu entrar em sono profundo.

 

- Ela acabou de apagar...  a informação foi transmitida ao celular, mas para quem? Julia se questionava.

 

Assim que a enfermeira retirou-se, foi até o banheiro e se desfez do remédio.

 

Intrigada passou a analisar os últimos fatos. A perda de memória, o sono absurdo que sentia, o mal estar que lhe acometia, e tudo sempre após a ingestão dos medicamentos. O mais curioso e que lhe passou despercebido, foi a presença constante da mesma enfermeira. Por alguma razão desconhecida, na noite anterior não tinha tomado o “calmante”, e viu a diferença em suas lembranças que estavam realmente voltando, motivo este que a deixou muito feliz.

Conseguiu conectar os fatos e ligou imediatamente para Isa.

 

Isa acabou contando tudo o que estava acontecendo, não tinha mais como esconder. Julia ficou irada, mas sabia que ainda não estava totalmente recuperada, e decidiram pedir a ajuda de Vanessa pelo celular. Isa voltou para o hospital e Vanessa as encontraria lá. A preocupação era com a enfermeira informante de Alexia. Sem esforço, Vanessa a enviou para o primeiro andar. Quase duas da manhã as três conseguiram se reunir. Julia estava abalada, mas teve tempo de organizar as idéia e arquitetar seu plano. 

 

Isa chegou primeiro e foi direto para o quarto. Como tinha acesso livre ninguém proibiu a sua entrada. Quando entrou Julia estava na janela olhando a noite que estava perfeita do lado de fora. Isabel se aproximou e pegou em sua mão, Julia recebeu com prazer o toque macio, em seguida soltou sua mão e abraçou sua pequena, depositando um beijo terno em seus lábios.

 

Vanessa chegou sem que as duas percebessem.

 

- Ei meninas não precisam ficar constrangidas... vou ficar esperando vocês pararem com essa beijação sem fim... - arreliou divertida.

 

As duas abriram os olhos, se olharam e começaram a rir .

 

– Isa você já foi mais tímida - provocou Van.

- Já mesmo - respondeu Isa salpicando beijinhos rápidos em Julia.

 

Deixaram as brincadeiras de lado, e se concentraram em ouvir o plano traçado por Julia. O primeiro passo era Isa ir ao encontro com Alexia para que tivesse tempo de sair da clinica. Decidiu que ia se recuperar numa clinica de uns amigos na cidade vizinha. Enquanto isso, Vanessa teria que tentar reunir todas as provas e pessoas que estavam ajudando a sua irmã. Não ia deixar isso barato para ela, que se mostrou uma pessoa perigosa demais. Ficaram arquitetando tudo ate às 5 horas.

 

Vanessa não foi mais embora, subiu para o consultório de Julia pois tinha que preparar tudo para a transferência de sua amiga. Isa ainda ficou mais um tempo.

 

- Você entendeu. Vamos ficar alguns dias sem se ver... - reafirmou Julia. - Eu não queria que tivesse que passar nem um minuto ao lado dela, depois do que quase fez contigo.

 

- Julia preciso te falar uma coisa que andei sentindo, e me sinto mal com o ocorrido. Eu me senti atraída pela Alexia, sei que não deveria mais aconteceu... mas não é nada assim tão forte que eu queira arrancar a roupa dela e fazer coisinhas... foi apenas carência, e também porque ela é uma mulher que tem presença...

 

- Eu não creio que esteja me contando isso, assim, com tanta naturalidade - Julia falou ironicamente fixando o olhar em Isa.

 

- Vai brigar comigo, eu sei - disse já lamentando ter sido tão sincera.

 

- As vezes você é inacreditável, sabia? Estas coisas não se conta para a namorada. Pelo menos assim você será mais convincente no encontro... Mas depois, conversaremos sobre essa sua quedinha pela minha irmãzinha doida.

 

- Eu não sei se vou aguentar tanta tentação! Acho que vou sucumbir aos meus desejos... - disse Isa fazendo cara de inocente.

 

- Isabel Cristina! Olha sua vida, você está aproveitando minha falta de condições para ficar aprontando todas. E que cara é essa agora, se sou eu que estou ficando cheia de chifres... - soltou indignada.

 

- Ju você lembrou do meu nome - falou Isa com um largo sorriso.

 

- Nossa, foi mesmo - relembrou as palavras que emitiu.

 

Julia perdeu-se na felicidade de sua namorada, enquanto em seus olhos o brilho intensificava, pairando sobre os labios que lhe sorria. Não pensou em mais nada, a segurou firme e lhe deu um beijo daqueles com pegada, deixando-a completamente tonta.

 

- Affffff! Há quanto tempo não me beija assim, me apertando toda... Foi o ciúme é?

 

- Foi sim - afirmou com cara de brava. – É que estou acordando o seu corpo, para que ele saiba que tem dona e que anda muito vira-lata pro meu gosto. Qualquer vagaba  que aparece já abana o rabo... preste atenção, Dona Isabel, quando eu te pegar de jeito, você vai me pagar. Agora vai porque senão eu não me responsabilizo... estou pegando fogo... rs.

 

- Eu vou... tenho que ficar linda para a Dra Alexia... E ser bem convincente. Vou deixar ela mais louquinha por mim.

 

As palavras de Isa despertaram o ciúme voraz de Julia, que a passos largos alcançou-a. Isa foi prensada contra a parede, enquanto sentia prazerosamente a voluptuosidade dos beijos de sua namorada.

 

Vanessa as encontrou assim, entre beijos vorazes, ao entrar novamente no quarto.

 

- Meu deus, o que é isso? Vocês estão demais... querem fazer o favor de se desatracarem? - foi ate as duas e as separou, fingindo-se indignada. – Isa você já deveria ter ido embora, já está amanhecendo.

 

- É a Julia que não me deixa ir.

 

- É você que esta me provocando.

 

- Meninas não me interessa quem esta fazendo o que, certo? Você tem que ir agora.

 

Desta vez apenas se olharam, trocaram um abraço caloroso, e Isa foi embora.

 

 

- Julia você está bem? - perguntou Vanessa ajudando a amiga a se deitar um pouco.

 

- Minha cabeça começou a doer e senti uma forte tontura.

 

- Também você fez tudo o que não podia hoje, e se eu não tivesse chegado acho que teria chegado aos finalmente.  

 

- Vanessa não exagere - continuaram conversando sobre o plano de fuga, e enquanto isso Isa chegava em sua casa.

 

Ao se aproximar seu coração gelou ao ver Alexia fora do carro, esperando-a. E não tinha como se esconder porque ela lhe acenou e ficou olhando-a vir, seus passos se tornaram lentos, e o medo começou a surgir querendo apossar de seu coração. “Por que ela estava ali, será que sabia de tudo?”

 

- O que você esta fazendo aqui tão cedo? - perguntou sem rodeios.

 

- Eu estava ansiosa - foi apenas o que respondeu.

 

Isa não sabia se acreditava ou estava caindo em uma armadilha. Não tinha ninguém na rua, e dona Fátima ainda estava dormindo.

 

- Vamos entrar - convidou gentil. - Queria tomar um banho. Sai com o pessoal da escola.

 

- Entra no carro Isabel - disse apontando uma arma para ela. Sem ter o que fazer Isa entrou.

 

- Você poderia ter sido poupada disso tudo, mas foi abrir sua boca para ela... Então, vamos deixar ela se mandar, como planejaram.

 

- Você não está sozinha nisso?

 

- Não - foi sucinta na resposta, permanecendo em silencio o restante do percurso, até chegarem em uma casa muito grande.

 

Isa estava sendo levada para um dos quartos daquela luxuosa casa.

 

- Alexia o que você quer é impossível ser só ciúmes de não ter tido um pai presente, você não iria enlouquecer só por causa disso. Como você soube?

 

- Que você iria contar para Julia? Já esperávamos por isso - respondeu Alexia abrindo uma porta. - Entre, depois conversaremos sobre sua quedinha por mim... Ah! Tinha câmeras escondidas pelo quarto.

 

- Quem esta com você nisso? Me deixe ir sua louca... eu não vou te denunciar. Nos deixe em paz - gritou em completo desespero.

 

Isa viu apenas a porta sendo fechada em sua cara. Correu até a Janela para ver se tinha como fugir por ali, encontrou grades em sua frente e uma altura imensa diante de seus olhos. Estava com medo.

 

 

Já passava das 13 horas, Julia  já tinha chegado a horas na clinica de seus amigos. Estava com o coração apreensivo. Por mais que acreditasse no amor de Isa, ficou um pouco insegura com o fato dela dizer que sentia atração por sua irmã, que era uma mulher muito bonita, não podia negar.

 

Vanessa tinha voltado para casa. Iria passar na escola e conversar com Adriana para dar uns dias de licença para Isa até que toda essa loucura terminasse, pois com certeza Alexia iria atrás de Isabel. E o combinado era que depois do encontro iria para a casa dos pais.

 

Julia já tinha ligado algumas vezes para o celular de Isa e estava desligado. Então ligou para Vanessa, para ver o que estava acontecendo. Provavelmente ela estaria na estrada, por isso não atendia. Mesmo assim estava preocupada.

 

- Vanessa, você já soube da Isa? Não estou conseguindo falar com ela.

 

- Não se preocupe, me enviou um torpedo dizendo que já estava pegando o ônibus para a cidade dela, e que no final da tarde estaria lá.

 

- E porque ela não mandou um torpedo pra mim? Será que ela ficou com a Alexia e agora está com vergonha de falar comigo?

 

- Deixe de pensar bobagem - disse Vanessa. - Já consegui várias provas que incrimina a Dra. 

 

- Que ótima noticia, mas eu estou com uma sensação ruim... queria falar com a Isa.

 

- Se ela entrar em contato eu digo que você quer falar com ela. Tenta dormir um pouco.

 

- Vou tentar - disse Julia e desligou. Sua cabeça estava doendo muito, mas mesmo assim adormeceu.

 

Lucas apareceu do lado da cama de sua irmã e colocou a mão em cima da cabeça dela. “Minha irmã estou fazendo de tudo para te deixar bem, fiquei tão feliz que você perdoou a nossa mãe. Meu tempo já esta se esgotando, logo terei que partir de vez. Cometi um erro, achei que estava fazendo o certo, mas errei, e você e a Isa é que estão pagando por ele”. Lucas estava tão triste que não conseguiu ficar mais ao lado de sua irmã e desapareceu.

 

 

Isa de tanto chorar e de fome acabou dormindo, mas foi forçadamente acordada com um banho de água fria. Quando abriu os olhos, fitando aquelas duas figuras à sua frente, só conseguiu dizer: - Você?

 

- Eu mesma queridinha - a voz de Hérica soou como na primeira vez em que a que ouviu.

 

Isa se deu conta naquele exato momento do que estava acontecendo, que Alexia não era o problema maior e sim Hérica. Ela estava de volta e com um brilho maquiavélico no olhar.

 

- Sua namorada não deveria ter feito aquilo comigo. Ela quase me matou - em sua ira esbofeteou o rosto de Isa que quase caiu da cama. - Tudo por sua causa... - grudou no pescoço de Isa na clara tentativa de sufocá-la.  

 

- Meu amor não faça isto agora, podemos nos divertir muito com elas - a voz mansa de Alexia a fez recobrar a sensatez.

 

- A Julia está aqui também? - perguntou Isa desesperada.

 

- Ainda não, estamos deixando ela pensar que o plano deu certo, e que você chegou em sua cidadezinha em segurança - esclareceu Alexia.

 

- A Julia pegou pesado comigo - o ódio expresso na voz de Hérica arrancou um arrepio em Isa. - Me trancar naquele lugar... deveria ter me deixado morrer. Foi um erro ter me salvado.

 

- Você nunca mudou - concluiu Isa.

 

- Eu disse que iria sair do Brasil, fiz todo um teatro de que tinha virado uma boa moça. Julia como sempre acreditou como uma criança. Vocês duas são umas idiotas! Fiquei aqui, reencontrei essa mulher maravilhosa que me ama - trocaram um beijo que enojou Isa, e ao terminar continuou falando: - sem ela não conseguiria descobrir os detalhes de todo o ocorrido. vocês esqueceram o que aconteceu, mas eu não.

 

 

Vanessa começou a se preocupar, já passava das 21 horas e nada da Isa, o celular não atendia, mensagens também não respondia, tinha perdido o telefone da casa dela e não sabia o endereço. Ligou para Adriana e pediu, não queria assustar Julia antes de ter alguma noticia. Ligou e Falou com dona Fátima que também estava preocupada porque não sabia de Isabel desde o dia anterior.

 

- Vanessa o que foi? - perguntou o seu marido, já sabendo de toda a história.

 

- Alexia não deixou a Isa voltar.

 

- Meu Deus, vocês não pensaram nesta possibilidade? Deveriam ter acionado a policia - disse o marido já nervoso.

 

- Acionado a policia e falado o que? Não tínhamos provas contra ela - tentou justificar.

 

- E agora tem? 

 

- Algumas - respondeu Vanessa. - Tenho que falar com a Julia. Me deixe pensar.

 

- Olha só o que deu o plano mirabolante de vocês. 

 

Vanessa respirou profundamente algumas vezes tentando se acalmar, antes de discar o número de Julia.

 

- Julia é a Vanessa.

 

- Conseguiu falar com a Isa? - pelo tom de sua voz, se percebia o seu nervosismo.

 

- Não.

 

- Como não? Ligou para a casa dela?

 

- Liguei e a senhora que mora com ela disse que não a vê desde ontem, pois ela não retornou pra casa.

 

 

*********************************

 

 

 

Vanessa fez uma pausa e tomou um pouco de água com açúcar, pois estava muito nervosa. – Meu marido disse que  fizemos tudo errado, que deveríamos ter ido a policia - expôs a opinião do esposo, imersa em sua preocupação e à beira do choro.

 

- Porra, Vanessa eu te falei a tarde para que procurasse saber da Isabel e aposto que você não fez o que pedi... - acusou descontrolada. - Deve ter sido aquela louca quem mandou o torpedo pra você. Com certeza ela soube o que estávamos planejando, aposto mais, que deixou a gente acreditar que nosso plano estava saindo como o planejado... - cogitou certeira. - Alexia está sempre um passo à nossa frente... que inferno! Estou voltando. Quando eu chegar tomaremos as providências necessárias.

 

O medo apossou-se de Isa, pois não sabia até onde iria a maldade de Hérica, que se revelou agressiva. Instintivamente colocou a mão no rosto sentindo ainda a dor da bofetada. Se não fosse a intervenção de Alexia, ela a teria matado com suas próprias mãos. Só conseguia rezar e pedir que Deus as protegesse. A respiração ficava opressa e o coração revolvia em seu peito só em ouvir passos no corredor. O pavor lhe tomava por completo só em imaginar que pudesse ser Hérica.

 

“Será que Júlia já sabe que nosso plano não deu certo?”, questionava-se em seu desespero.

 

***

 

Dona Fátima em sua angustia ligou para Mari, contando que Isa tinha sumido e não sabia o que fazer, se iria à polícia dar queixa do desaparecimento dela. Mari e Matheus  pegaram o primeiro vôo, encerrando a lua de mel antes do previsto. No aeroporto começou a ligar para todos os amigos em comum, na esperança de que alguém tivesse noticias de Isa. A última da lista foi Vanessa, que lhe colocou a par de toda a situação. Saber do perigo a que sua amiga estava exposta, fez com que Mari se desesperasse. Segurou forte na mão de Matheus que parecia estar orando, ela sentia que ele não estava bem, andava muito quieto e cansado nos últimos dias, e agora esta noticia o fragilizou ainda mais.

 

***

 

Ante a pressão e o nervosismo a que foi submetida, Julia recuperou sua memória total. Pelo menos isso de bom aconteceu.

 

***

 

Por volta das 22:30 Alexia levou um lanche para Isa, que estava faminta.

 - Pensei que fosse a Hérica - disse assustada.

 

- Ainda não! Come logo, ela não quer que te de comida - revelou Alexia olhando para ver se a outra não aparecia.

 

- Você esta vendo como ela é ruim, porque foi ajudá-la a fazer isso? Entendo sua magoa com Julia e a família dela. Mas a Hérica é perversa.

 

- A Julia quase a matou. Ela tem todo o direito de se vingar. E eu amo a Hérica e estarei com ela até o fim disso.

 

-  Se está com ela até o fim, por que veio me trazer comida? - perguntou Isa, sem obter resposta pois Alexia  saiu do quarto.

 

A informação de que Júlia estava voltando chegou até Hérica. E foi com um brilho de puro ódio nos olhos que dirigiu-se para o quarto em que Isa se encontrava. O terror iria começar definitivamente, e estar em posse do celular de Isa, contribuiria para o desenrolar perfeito de seu plano. Entrou e Isa se encolheu toda encostando ainda mais na cabeceira da cama. Sentiu que algo ruim iria acontecer e pediu pela última vez para Deus a proteger. 

 

- Queridinha, esta na hora de ligarmos para sua namorada. Ela já está voltando.

 

Isa avaliou as possibilidades de defesa a seu alcance, mas naquele quarto não tinha sequer um vaso, ou um quadro com o qual pudesse acertar a cabeça de Hérica... absolutamente nada.

 

- Eu não vou ligar nada, se quiser me matar, mate - afirmou sem conter o sentimento de impotência a que estava submetida. – Não quero que a Julia venha. Se tiver que morrer, que seja apenas uma.

 

- Que lindo, vai se sacrificar pela mulher amada - disse Hérica, aplaudindo com extrema ironia. - Não precisa ligar, eu ligo. Estou com saudade de falar com ela...

 

Discou e no momento em que Julia atendeu Isa saltou sobre Hérica fazendo com o celular voar longe. Tal ato implicou em outra bofetada, ainda mais dolorida que a primeira. Hérica a pegou pelo cabelo e a puxou até onde o celular tinha caído. Discou novamente o número de Julia. 

 

- Alô, Isa fala comigo.

 

- Oi, Baby.

 

- Sua desgraçada, foi você que armou tudo isso...

 

- Estou devolvendo o favor, ou já se esqueceu baby? Você fez isso comigo - a voz não ocultou o ódio que a dominava. – E como anda a memória? Por falar nisso, adivinha quem provocou seu acidente... - a pausa proposital deu a Julia a vaga lembrança do ocorrido. – ... isso mesmo, euzinha! Precisava te tirar de cena por um tempo, pois queria armar tudo direitinho - informou friamente. – Para minha festinha ficar mais interessante, veja quem está aqui comigo à sua espera: sua namoradinha! Vamos Isabel, fale com ela - ordenou ainda mantendo-a presa pelos cabelos.

 

- O que você quer que eu fale, sua desgraçada! - gritou Isa.

 

- Meu amor, fale comigo - pediu Julia agoniada.

 

Isa ficou quieta ouvindo a suplica de seu amor. O soco desferido por Hérica em seu estomago a fez gritar e se contorcer de dor.

 

- Ela está tímida, mas deu pra você comprovar que ela está entre nós ainda... Então é o seguinte, um carro vai parar o seu, e é melhor cooperar enquanto estou boazinha... nada de avisar suas amiguinhas e nem a policia. Vamos resolver essa paradinha, entre nós mesmas.

 

- Ok - disse Julia. - Pode ter certeza que eu vou acabar com você, Hérica. Sei que está judiando dela, que não tem nada haver com isso.

 

- Ela é a culpada de tudo - gritou descontrolada. – E tem que sofrer sim! Estamos lhe esperando e nada de gracinhas, ouviu bem? Senão, quando chegar pode encontrar sua namoradinha sem os dedos... e você sabe que eu faço. Beijos baby.

 

Julia imediatamente ligou para Vanessa.

 

- Van sou eu. Olha não vou chegar aí, mas não se preocupe que vai ficar tudo bem. É a Hérica que está fazendo tudo isso.

 

- Você vai pra onde? - gritou Vanessa. – Temos que ir a policia.

 

- Não se preocupe minha amiga, vamos ficar bem. Ela esta machucando a Isa, e por isso não posso me arriscar. 

 

- Julia não faça isto, ela pode matar vocês duas - dizia Vanessa em completo desespero.

 

- Van se não aparecermos até ao meio dia você pode ir a policia, porque eu não terei conseguido nos libertar. Não sei para onde eu vou, mas quero que saiba minha amiga que você sempre foi uma irmã pra mim... do meu jeito, eu sempre te amei. Cuida do meu afilhado direito.

 

- Julia para com isso, não se despeça de mim... não vou permitir isso, volta logo, e não faça nada de errado. Você sabe que eu não vou te visitar na cadeia, pois tenho horror àquelas revistas que fazem nas mulheres.

 

Pararam o carro que ela estava. Dois homens mal encarados desceram do carro e caminharam em sua direção.

 

- Tenho que ir agora, reze por nós minha amiga! Desligou apressada, e escondeu o aparelho dentro da meia, rezando para que não a revistassem. Tinha dois celulares, e entregou o outro para um dos caras. Foi vendada e jogada no banco de trás.

 

****

 

Mari e Matheus chegaram na casa de Vanessa, que estava largada no sofá chorando e rezando com seu tercinho, que ganhou de Julia. Estava tão sem noção que nem falou com ninguém, seu marido que recepcionou o casal de amigos. Mari foi  até Vanessa e lhe deu um beijo, e sem saber o que fazer, começou a rezar com ela. Matheus foi conversar com Carlos e saber de fato o que estava acontecendo e foi informado de tudo. Ele sentou no sofá e ficou quieto com seus pensamentos, todos estavam de mãos atadas, porque não tinham nem uma pista de onde estariam.

 

****

 

 

Isa continuava sendo torturada por Hérica, que nutria por ela uma raiva sem igual. A sessão tortura só parou porque Alexia interviu a favor de Isa novamente, já arrependida por ter ajudado Hérica, mas certa de que era tarde demais para voltar atrás.

 

 

 

 

 

 

Isa estava amarrada a uma cadeira num quartinho sem móvel nenhum, só poeira e teia de aranhas por toda a parte. Hérica tinha dado um soco em seu olho que inchou na hora, e não conseguia enxergar. Sentia o sangue escorrer por seu rosto, a dor era tamanha que as lágrimas secaram devido a tanta brutalidade. Hérica estava totalmente desequilibrada. 

 

- Alexia, você está com peninha da vadiazinha de Julia, não é? Estou vendo em sua cara - falou Hérica tomando um copo de uísque puro. – Você é uma tonta igual a sua irmã. Venha aqui que estou te querendo... - os olhos brilhando pelo desejo desperto.

 

Alexia foi e sentou-se no colo de Hérica. Mal começaram a se beijar e as roupas de Alexia foram tiradas sem qualquer delicadeza e rapidamente o desejo selvagem de Hérica alcançou o clímax. Ela se levantou, vestiu suas roupas e simplesmente saiu, deixando Alexia nua no meio da sala, completamente perplexa pela falta de carinho.

 

Pela primeira vez Alexia sentiu-se mal ao concluir a dura verdade que lhe fora revelada sem a mínima consideração. Agora que Hérica estava no controle de tudo, não precisava esconder mais, que só a usava. Só naquele momento que  caiu a ficha.

 

“Não posso amar uma mulher dessa... O amor é cego até quando ele quer, mas o meu está vendo tudo bem claro agora”, pensou Alexia se levantando, recolhendo suas roupas do chão indo direto para o banheiro, em pura necessidade de retirar todo o cheiro de Hérica de si.

 

***** 

 

Julia tinha que se manter calma e durante o percurso todo, foi fazendo meditação, não podia chegar com aquela raiva toda que estava sentindo em seu coração. Lembrou de agradecer mentalmente a seu pai por tê-la feito fazer karate com seus irmãos, “...quando você crescer, vai poder defender qualquer pessoa” dizia ele ao perceber o desgosto com o qual participava das aulas, e essa hora havia chegado. Tornou-se faixa preta, com muito orgulho. Os irmãos não foram até o fim, mas ela sim. Aprendeu a gostar do esporte, mas nunca desejou competir profissionalmente, pois sua paixão sempre foi o surfe e a medicina, anos depois.

Tinha que chegar focada, totalmente concentrada na sua adversária, pois Hérica conhecia seu ponto fraco e sabia como lhe tirar do sério.

 

*****

 

 

Vanessa e Mari pararam de chorar e rezar. Matheus estava sentado muito quieto, Carlos estava na cozinha fazendo alguma coisa para todos comerem, e Julinho estava na casa dos pais de Carlos.

 

- Math, você está bem? - perguntou Mari para seu marido e colocou a mão no rosto dele, notando a diferença de temperatura. - Nossa, você está muito quente. Vanessa venha ver... será que é só impressão minha? - indagou preocupada.

 

Vanessa se aproximou e colocou mão em Matheus.

 

- Ele está queimando de febre - confirmou a suspeita de Mari, se apressando em ir buscar o termômetro.

 

 

 

Antes de sua volta, Matheus olha para Mari e desmaia em seus braços. Os gritos de pavor de Mari são ouvidos, fazendo com que Carlos corresse para ver o que estava acontecendo. Ajudou Mari a deitá-lo no sofá, enquanto pedia que ela se acalmasse, pois tudo ia ficar bem, passando os dois às tentativas de acordá-lo.

 

Vanessa voltou e o encontrou naquele estado, e imediatamente começou a bater em seu rosto, chamando-o. Avaliou a pulsação dele que estava muito fraca, e pediu para Carlos ligar para a clinica solicitando uma ambulância.

 

Minutos depois Matheus acordou. Ao abrir os olhos viu Lucas, e sorriu para o seu amigo.

 

– Você está aqui, que bom te ver! - todos se olharam sem entender com quem ele estava falando pois seu olhar estava em outra direção. Lucas apenas balançou a cabeça dizendo que sim. 

 

- Ele deve estar delirando por causa da febre - tentou explicar Vanessa, na esperança de acalmar Mari até a ambulância chegar.

Não perguntou se queriam sua presença, apenas entrou no veículo assim que Matheus foi acomodado, acompanhando o casal até a clínica.

 

Matheus foi segurando a mão de Mari o tempo todo, pedindo a Deus que não deixasse acontecer nada de ruim com Isa. Sua hora estava chegando, mas não queria partir sem vê-la mais uma vez.

 

 

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