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A  GAROTA  DA  MOTO

 

PARTE  13

 

 O dia surgiu radioso, com sol e uma brisa fresca soprando.Era o outono que se aproximava, amenizando o calor típico do Texas.

 

            Diane levantou cedo. Tomou um banho de ducha, vestiu-se, se perfumou e penteou os negros cabelos, prendendo-os no alto da cabeça. Olhou-se criticamente no espelho. Sorriu para sua imagem. Estava ótima, nem parecia que havia saído de um hospital há vinte dias.

 

            Pensou em Shane e seu sorriso morreu. Estava muito magoada com ela. Shane havia sido um triste engano em sua vida. E reconheceu que a culpa não era de Shane, ela quem havia iniciado tudo. Shane a havia avisado que não estava pronta para outra relação séria. Mas ela deixara sua libido decidir sua vida amorosa, encantada com a beleza de Shane, com o jeito dela fazer sexo. Havia sido uma idiota! Por que não havia apenas tido uma noite de prazer e ter se retirado sem convidá-la para ir para sua casa? Não estaria agora sofrendo uma decepção. Mas ia recuperar-se disso.

 

            O belo rosto de Sean surgiu em sua mente. Lembrou do beijo que trocaram, quando ela a confundiu com Shane. Sean tinha uns lábios deliciosos, e ela havia retribuído o beijo, sentira a língua dela acariciando a sua, o corpo estremecendo. Depois havia recuado, com certeza por medo.

 

            Diane sorriu. Sean havia gostado do beijo. E depois, no jantar, havia notado os olhares dela. E a declaração que estava triste porque ela ia embora. Ela a desejava, tinha quase certeza. E ela também sentia-se atraída por Sean, talvez por sua semelhança com Shane. Mas se conseguisse conquistá-la, faria tudo para não a comparar com a irmã, porque Sean merecia ser amada.

 

            Desceu para o primeiro piso e viu Sean de pé junto à janela, fitando a paisagem com olhar pensativo. Ela estava com culotes de montaria e botas de cano longo e Diane admirou o corpo esguio, sentindo um arrepio de desejo.

 

            Sean ouviu seus passos e voltou-se. Ao vê-la, enrubesceu e sorriu timidamente.

 

            -Já de pé? Pensei que ia acordar um pouco mais tarde.

 

            Diane sorriu e aproximou-se com um sorriso malicioso.

 

            -Bom dia, Sean. Já descansei o suficiente. E pensei que podia acompanhá-la na sua cavalgada diária que faz pela manhã, que você contou-me.

 

            -Oh, claro... – Sorriu Sean, observando a roupa de Diane – A calça jeans e a blusa de algodão estão adequadas para cavalgar, só falta um chapéu para proteger sua cabeça do sol.

 

            -Não tenho chapéu – Disse Diane, decepcionada.

 

            -Isso não é problema, eu possuo vários. Posso dar um para você, espero que tenha a cabeça do tamanho da minha. Vamos tomar o desjejum, depois veremos isso.

 

            Foram tomar o desjejum na varanda, um hábito de Sean. Diane olhou a mesa, impressionada. Havia ovos mexidos, panquecas, bacon, torradas, suco de laranja, café e frutas diversas.

 

            -Uau, vocês se alimentam com isso tudo no café da manhã?

 

            Sean riu, servindo-se de café.

 

            -A vida no campo dá apetite. E é claro que gastamos muita energia com trabalhos físicos. Eu tenho vinte empregados na fazenda para manejar o gado, mas gosto de ajudá-los a laçar e marcar gado, a cuidar  das crias, coisas assim.

 

            Diane a fitou com malícia proposital.

 

            -Pelo corpo que tem, prova que sabe se cuidar, Sean.

 

            Sean enrubesceu e baixou os olhos com uma timidez encantadora. Comeram em silêncio e Diane aproveitou para ficar admirando-a disfarçadamente. Sean era linda! Os cabelos negros estavam presos em um rabo-de-cavalo, mostrando o pescoço dourado. Ela parecia tão tranqüila. Como seria esse rosto com uma expressão de desejo?

 

            Depois do desjejum Sean foi ao seu quarto e voltou com um chapéu branco, que coube exato em Diane.Elas foram ao estábulo, onde haviam cinco cavalos puro-sangue. O tratador  Billy selou o garanhão negro Ralf e a égua Courtney, marron. Minutos depois elas estavam cavalgando pela pradaria.

 

            Diane seguiu Sean, que cavalgava na frente. Mas ela parou, esperando-a com um sorriso excitado.

 

            -Vamos dar uma corrida até aquela árvore? – Perguntou, apontando uma árvore distante, numa pequena colina.

 

            -Bem, eu há muito tempo não cavalgo e estou fora de forma, mas vamos lá! – Gritou Diane, esporeando o cavalo, que saiu em disparada.

 

            -Trapaceiraaaa!!! – Gritou Sean, esporeando seu cavalo, seguindo-a.

 

            Para espanto de Diane, ela a ultrapassou em pouco tempo e se distanciou velozmente. Diane não pôde deixar de olhar a perfeita coordenação entre cavaleira e cavalo, eles pareciam um só, na fluidez dos movimentos. Era uma visão tão linda, que Diane retardou sua montaria, seguindo em galope moderado.

 

            Quando chegou na árvore, Sean já havia desmontado e estava sentada sob a sombra da árvore com os braços rodeando seus joelhos. O garanhão pastava tranqüilamente. Sean sorriu, vendo-a desmontar.

 

            -Demorou a chegar, amazona! – Disse – Está mesmo fora de forma!

 

            Diane sentou ao lado dela, retribuindo o sorriso.

 

            -Eu me retrasei para ver você cavalgar.

 

            -Por que? Duvidou que eu montava bem?

 

            -Não, é que achei a cena linda, você cavalgando com os cabelos ao vento.

 

            Sean ficou vermelha e desviou o olhar do seu.

 

            -Sempre que estou com a cabeça cheia de problemas, venho para a fazenda e cavalgo até aqui para pensar.

 

            -Você tem levado uma vida dura, não?

 

            -Realmente. Desde cedo  eu tive que tomar à frente dos negócios. Eu tinha apenas vinte e um anos. Shane nunca quis saber dos negócios da fazenda. Mas acostumei-me com isso. Temos mais duas fazendas um pouco menores que essa, além de prédios de escritórios em Dallas. É cansativo administrar tudo isso, mas já acostumei-me. Agora com a morte de meu pai, os bens herdados serão divididos entre eu e Shane e ela terá que administrar sua parte. Ela não pode continuar levando uma vida sem responsabilidades.

 

            -Concordo com você. Ela tem muito tempo livre e você, nenhum. Não sente falta de ter alguém para amar?

 

            Sean a encarou.

 

            -Amor? Nunca tive tempo para isso. Eu dediquei meu tempo para os negócios e cuidar de meu pai. Ele tinha uma enfermeira, mas eu supervisionava tudo.

 

            -Mas agora você vai ter mais tempo para você. Sean, você é uma mulher linda e atraente, é imperdoável uma mulher como você não ter alguém para amar – Disse, fitando-a ardentemente.

 

            Sean sentiu seu coração acelerar. Lembrou o beijo entre elas e tentou soar sua voz normal:

 

            -Amor é algo estranho para mim. Não sei se um dia vou experimentar esse sentimento.

 

            -É só perder o medo que tem de amar, Sean. Sei da tragédia que aconteceu com seus pais, mas isso não quer dizer que o mesmo vai acontecer com você. Abra seu coração. Sean, ontem quando a beijei, você correspondeu por uns momentos. Eu acho que você está atraída por mim, e eu estou muito atraída por você. Por que não nos damos uma chance?

 

            Sean ergueu-se vermelha como um tomate.

 

            -Não, Diane. Você não me beijou. Você beijou-me pensando que eu era Shane. O beijo não foi para mim.

 

            -Pode ser, mas depois vi que era você e eu amei aquele beijo.E só penso em ter a chance de beijá-la novamente – Confessou Diane, erguendo-se também e parando diante de Sean, fitando-a com desejo.

 

            Sean a encarou medrosamente, tremendo de nervosismo.

 

            -Você quer usar-me para se vingar de Shane. Ou então, deseja-me porque sou muito parecida com ela.

 

            -Não, Sean! Eu a desejo porque seu beijo despertou-me a certeza que você é a mulher certa para mim. Você é bem diferente de Shane em sua personalidade. Adoro sua timidez, sua meiguice, sua inexperiência sobre o amor. Eu desejo ensinar você a amar, a ter prazer com uma mulher, a ser feliz.

 

            Enquanto falava, a voz de Diane baixou sedutoramente, seus olhos adquiriram um brilho de desejo, semi-cerrados. Ela estendeu as mãos e tomou o rosto de Sean entre elas, acariciando-o com os polegares. Seu corpo se aproximou sinuosamente e se encostou no de Sean, transmitindo sua maciez e fazendo Sean sentir seu delicioso perfume.

 

            Sean era uma mulher sem experiência amorosa. E sentindo e vendo aquela mulher linda tentando seduzí-la, era demais para ela. Sean sucumbiu à atração que sentia e fechou os olhos, entregando-se pela primeira vez à emoção do amor e desejo.

 

            Diane percebeu na atitude de Sean a sua entrega e desceu os lábios ansiosos em busca dos lábios vermelhos de Sean.

 

            Foi um beijo profundo, intenso, apaixonado, quente. Suas bocas se sugando mutuamente, os corpos se espremendo, os braços apertando, em um frenesi de emoção.

 

            Quando se separaram para respirar, Sean a fitou desejo, a respiração desigual, o rosto vermelho, o corpo tremendo.

 

            -Diane... eu quero que me ensine a amar... a ter prazer com você e também dar prazer... eu quero tudo que você possa dar, porque eu também a desejo muito... – Declarou, com voz trêmula.

 

            Diane acariciou seu rosto ternamente, fitando-a nos olhos.

 

            -Sean, tenha certeza que nunca a magoarei. Você merece ser amada e vou tentar tudo para fazê-la feliz. Sei que nos conhecemos apenas ontem, mas o amor e a paixão não medem tempo quando você conhece alguém que é a pessoa de seus sonhos.E você é a pessoa dos meus sonhos, Sean. Linda, meiga, sensata, encantadora, uma mulher admirável. Eu a quero para mim e não vou perdê-la . Seja minha agora, Sean.

 

            Sean a encarou, tremendo.

 

            -Diane, também sei que nos conhecemos há bem pouco tempo, que você está saindo de uma relação com minha irmã... não acha melhor esperarmos um pouco para dar esse passo em nossa relação?

 

            -Sean, não sou uma mulher de meios termos. Para mim, é tudo ou nada. Por isso não quero insistir em minha relação com Shane. E eu preciso de sua ajuda para esquecê-la, Sean... não confia em mim? Eu não vou enganá-la. Confie em mim. Ajude-me, Sean – Implorou Diane, fitando-a desesperada.

 

            Sean não resistiu ao ver o desespero naqueles belos olhos. Agora acreditava em amor à primeira vista, porque descobriu-se escrava daquela mulher. Ela estava perdidamente apaixonada por Diane, e não podia negar nada à ela. Contra seus princípios e medos, ela se entregou ao mais poderoso sentimento e beijou Diane numa entrega total.

 

            Diane sentiu naquele beijo a entrega de Sean. E a despiu entre beijos, cada um recebido com gemidos de prazer. Ela admirou os seios pequenos e eretos, de auréolas rosadas, as coxas longas e firmes, os quadris arredondados, o estômago de músculos definidos, tudo de uma tonalidade dourada, mostrando que Sean tomava banhos de sol nua.

 

            Sean sorriu sob sua contemplação, timidamente. E quando Diane se despiu também, ela contemplou o corpo escultural boquiaberta, sentindo um louco desejo dominá-la.. O seu olhar percorreu Diane com a curiosidade de uma virgem, medrosos, mas cheios de desejo. E quando Diane a tomou nos braços, Sean sentiu uma emoção tão intensa que seus joelhos se tornaram fracos, fazendo-a se encostar totalmente no corpo de Diane. Ela a sustentou pela cintura e foram baixando para as roupas que forravam o chão, suas bocas grudadas em um beijo apaixonado.

 

            E Sean conheceu a delícia de entregar-se à paixão. Conheceu a delícia de se dar e ter um corpo de mulher nos braços. A suavidade dos beijos, das carícias, do toque das peles, do cheiro, do movimento dos corpos. O prazer de ter um orgasmo e ver Diane ter outro provocado por ela.

 

            Quando estavam ambas deitadas uma ao lado da outra, recuperando a calma dos corpos, Sean falou baixinho, pegando a mão de Diane e a beijando reverentemente:

 

            -Eu estou apaixonada por você, Diane.

 

            Diane voltou o rosto para ela, sorrindo docemente.

 

            -Eu também, Sean. E quero que nosso amor seja para sempre.

 

XXXXXXXXXXXXXXXXXXX

 

            Morgan havia acordado, tomado um banho, se vestido e descido à procura de Sean. Maria informou que ela havia saído com Diane para cavalgar e que ela podia tomar o desjejum na varanda.

 

            Morgan foi para a varanda com um sorriso sarcástico. Diane estava já investindo em sua nova conquista! Gostaria de ser como ela, tão racional. Mas não era assim. Só queria Shane, mesmo sabendo dos defeitos dela. Afinal, amar era aceitar a pessoa amada com todos seus defeitos.

 

            Estava terminando seu desjejum quando o distante ruído de uma moto alertou seus sentidos. Ela se pôs de pé agitada, mas logo tornou a sentar, tentando disfarçar sua emoção. Não queria demonstrar à Shane que estava nervosa com a chegada dela.

 

            A moto de Shane logo surgiu na estrada. Morgan ficou olhando-a parar diante da casa, saltar e dirigir-se para a varanda, com o coração aos saltos. O seu olhar fitou a inesquecível e querida figura, com saudade.

 

            Shane subiu os degraus correndo e ia entrar na casa sem vê-la. Morgan a chamou:

 

            -Shane!

 

            Shane parou instantâneamente ao som daquela voz. Não a esqueceria nunca! Voltou-se lentamente, com o coração aos saltos.

 

            Morgan a fitava, sentada à mesa da varanda, com um copo de suco de laranja na mão. Ela estava mais linda que nunca. Havia emagrecido um pouco, os cabelos estavam mais curtos, em um corte moderno. Mas o que mais chamou sua atenção foi o olhar. Aquele olhar não era o daquela garota que conhecera, era um olhar de adulto, amadurecido pelo sofrimento.

 

            -Morgan... – Disse, finalmente, se aproximando lentamente – Pensei que já tivesse ido embora...

 

            Tarde demais percebeu o que havia deixado escapar de sua boca. Aquilo não era a melhor frase para dizer à ela, depois de tanto tempo. Mas não havia dormido e estava exausta, sem pensar direito.

 

            -Oh, pensou que eu tivesse me desiludido com a notícia de sua relação com Diane e tivesse voltado para casa chorando sua traição, não é? Pois enganou-se! - Jogou Morgan, com frieza.

 

            Shane ergueu uma sobrancelha, surpresa e aborrecida.

 

            -Minha traição? Eu não a traí, porque não tenho mais nada com você!

 

            Morgan a encarou com desgosto.

 

            -É isso que pensa, não? E eu pensei que você me amava de verdade! Abandonei tudo por sua causa, estou sozinha! Mas você se grudou na primeira mulher que estava por perto! Substituiu-me logo por Diane, mal eu virei as costas!

 

            -Você me deixou, caindo na chantagem de seu avô! O que queria que eu fizesse, sabendo que seu marido estava esperando-a? Ficasse chorando o abandono? Diane deu-me a mão na hora que eu mais precisei!

 

            -Você não pensa no que eu passei, só pensa em si mesma! Eu joguei meu casamento para o alto, briguei com meus avós, afastei meus amigos, fiquei completamente sozinha, sofrendo sua ausência e falta de notícias! E você nesse tempo estava com Diane! Você não sabe amar, Shane!

 

            Shane ficou vermelha de raiva com a acusação.

 

            -Pare de bancar a vítima! Você não amava Jonnathan, seu casamento nunca iria dar certo, mesmo se eu não tivesse aparecido em seu caminho!Do que se queixa? Está agora livre e rica!

 

            Morgan a fitou com os olhos cheios de lágrimas, se erguendo.

 

            -Sim, rica, sozinha e infeliz! Eu vim aqui na esperança de tentar ter você de volta para mim, mas agora vejo que estava enganada! Você nunca me amou, porque só ama você mesma! Mas você está certa. Só os idiotas se apaixonam, eu agora vou ser como você. Vou conquistar, usar e largar! Hoje mesmo vou voltar para Dallas e ir para aquela danceteria conquistar uma mulher! Você vai conhecer uma nova Morgan!

 

            -Morgan! Não faça isso! – Gritou Shane, empalidecendo.

 

            Não adiantou Shane pedir, ameaçar. Morgan correu para seu quarto, recolheu seus pertences,  apanhou sua mala e saiu, entrando no BMW  alugado e partindo, deixando Shane arrependida de suas palavras, pensando o que fazer. E a verdade veio, arrasando-a: ainda amava Morgan com loucura, quando a havia visto tivera que conter a vontade de correr e abraçá-la. E havia estragado tudo, por causa de seu medo de entregar-se ao que sentia. Tentara ser dura e cínica, com medo de ser rejeitada. E agora havia perdido Morgan para sempre!

 

 

XXXXXXXXXXXXXXX

 

            Quando Diane e Sean voltaram para a casa, viram a moto de Shane estacionada no gramado. Sean olhou para Diane, sentindo um ciúme doloroso. Era horrível ter sua irmã como rival. Mesmo Diane tendo assegurado à ela que Shane não a amava, Sean tinha receio da reação de Shane.

 

            -Shane já chegou! Que vai fazer, Diane?

 

            Diane a fitou apaixonadamente.

 

            -Vou fazer o que já falei à você. Vou ter uma conversa com Shane e terminar tudo oficialmente.

 

            -Diane, tenho medo que minha irmã me odeie!

 

            Diane apertou sua mão, procurando tranqüilizá-la.

 

            -Não se preocupe, ela não me ama. Vai até ficar aliviada.

 

            Entraram na residência e encontraram Shane no living, com um copo de uísque na mão, com ar deprimido.

 

            -Shane, o que houve? – Perguntou Sean, tensa.

 

            Shane a fitou sem expressão.

 

            -Morgan foi embora.

 

            Sean e Diane a fitaram surpresas.

 

            -Morgan foi embora?! – Repetiram, ao mesmo tempo.

 

            Shane as fitou desafiante.

 

            -Sim, por que tanta surpresa? Ela só estava esperando-me para insultar-me, culpando-me pela sua infelicidade! Fez isso e se foi, dizendo que vai ser como eu, conquistando e largando!

 

            Sua voz soou queixosa. Diane voltou-se para Sean.

 

            -Deixe-nos à sós.

 

            Sean a fitou com receio.

 

            -Diane, acha o momento adequado? Ela está abatida...

 

            Diane revirou os olhos.

 

            -Sim, Sean, ela está abatida e precisa de um choque para reagir! Vá!

 

            Sean saiu e Diane aproximou-se de Shane e tomou o copo da mão dela. Shane rosnou em reação:

 

            -Hei! Dê-me o copo! Você não manda em mim!

 

            Diane sentou diante dela, fitando-a nos olhos com calma.

 

            -Eu sei disso, Shane. E nem pretendo mandar. O caso entre nós acabou. Eu percebi que você ainda ama Morgan e não quero continuar com uma mulher que gosta de outra. Eu mereço ter uma pessoa que me ame também.

 

            Shane a fitou surpresa.

 

            -Diane, tem certeza que quer tomar essa decisão?

 

            -Já tomei a decisão, Shane. Só estou comunicando.

 

            -Mas... pensei que me amasse... como tomou essa decisão tão rápido?

 

            -Eu também pensei, Shane. Mas eu estava era enfeitiçada por sua beleza. Mas eu felizmente agora sei que tudo não passou de uma paixão, que morreu quando eu percebi que você não queria assumir nossa relação diante de Morgan.

 

            Shane a fitou com um olhar perdido.

 

            -Eu queria tanto amar você, Diane... é uma mulher maravilhosa, que pode fazer qualquer pessoa feliz. Mas infelizmente, você chegou tarde na minha vida. Meu coração já pertencia à Morgan. Ela é temperamental, infantil, ciumenta, louca, mas é   ela quem eu amo.

 

            -Shane, fico aliviada em ouvir isso, porque eu estou apaixonada por uma mulher maravilhosa, a quem certamente amarei com o tempo.

 

            Shane a fitou perplexa.

 

            -Está me dizendo que se apaixonou por alguém?! Aqui na fazenda? Quem?

 

            -Sean – Expeliu Diane.

 

            Shane a fitou boquiaberta.

 

            -Sean?!... Não é possível... desde quando?

 

            -Desde ontem, quando você saiu. Descobrimos que estávamos atraídas uma pela outra.

 

            Shane começou a rir. Jogou-se no sofá com a cabeça para trás, dando altas gargalhadas. Diane a fitou com cara amarrada.

 

            -Qual é a graça, posso saber? – Perguntou, agressivamente.

 

            Shane a fitou ainda rindo.

 

            -A fria Sean, a assexuada, de casinho com você? É muito engraçado! Como eu desconhecia minha irmã!

 

            -Não acho graça nenhuma! – Disse Diane, irritada – Sean é uma mulher maravilhosa e precisa também de amor e carinho! E vou dar isso à ela, que merece muito mais que você!

 

            Shane a fitou com malícia.

 

            -É claro que foi você quem a seduziu! Sean jamais teria tomado uma iniciativa! Meus parabéns, Diane! Conseguiu conquistar a última das virgens dessa cidade! As MacPherson são a sua preferência! E ela parece muito comigo, lembra o que eu disse? Na minha falta, Sean podia substituir-me !

 

            Diane ficou vermelha de embaraço com as palavras de Shane. Baixou os olhos, sem ter o que dizer.

 

            Shane parou de rir e se ergueu do sofá. Fitou Diane nos olhos, séria.

 

            -Diga à Sean que está tudo bem. Mas cuidado, Diane! Se fizer a minha irmã sofrer, vai se ver comigo. Ela não tem uma couraça que a proteja de desenganos, como nós.

 

            Diane sorriu para ela.

 

            -Tem minha palavra que vou fazer tudo para ela ser feliz comigo, Shane.

 

            Shane a fitou com malícia, se dirigindo para a porta.

 

            -Diga à ela que não tenho nada contra a união de vocês. Eu sei que você a escolheu porque se parece comigo... é uma forma de continuar amando-me.

 

            -Pretenciosa! – Protestou Diane, envergonhada.

 

            Shane piscou um olho.

 

            -Agora vou atrás do que é meu. Até outro dia, estou indo para Dallas.

 

XXXXXXXXXXXXXXXX

 

            Shane foi para Dallas de avião, levando sua moto no compartimento de carga. Desembarcou às três da tarde e depois dos trâmites legais, sua moto foi liberada e ela saiu do aeroporto direto para a danceteria.

 

            Quando chegou foi saudada pela suas amigas, que não a viam há muito tempo. Shane trocou cumprimentos com elas, mas sentou em um tamborete no balcão, sozinha. Morgan poderia chegar a qualquer momento e queria estar sóbria, por isso pediu uma coca-cola. O barman a fitou como se estivesse louca.

 

            -Shane, tomando coca-cola? Milagres ainda existem! – Disse ele.

 

            Shane encolheu os ombros, bebendo o refrigerante gelado. Não era tão mal assim.

 

            Várias mulheres se aproximaram dela, chamando-a para dançar. Quando viram que Shane não queria companhia, a deixaram em paz.

 

            Eram mais de cinco horas quando Morgan entrou. Estonteante em um top e calça de couro pretos, um cinturão de metal prateado e botas de salto alto.

 

            As mulheres que a viram entrar a comiam com os olhos e Shane sentiu o ciúme dominá-la. Ia aproximar-se de Morgan, mas ela lançou um olhar gelado que a fez desistir, por hora. Morgan foi direto para a pista dançar.

 

            A música de Alanis Morrissete foi substituída por Britney Speals e Morgan a dançou fazendo gestos com as mãos, mexendo os quadris sensualmente. Uma morena dançando à sua frente sorriu para ela.

 

            Morgan olhou para Shane, disfarçadamente. Ela a fitava recostada no balcão, imóvel, com olhar visivelmente ciumento. Morgan sentiu uma grande satisfação com isso. Ela precisava provar o que fazia com as outras mulheres. E ia mostrar à ela que também podia conquistar uma mulher com facilidade.

 

            Voltou-se para a morena e retribuiu o sorriso. Ela era bem feminina, de cabelos profusamente cacheados e longos.Tinha um belo sorriso e um corpo invejável, realçado na saia curta e blusa colante. Ela sorriu, inclinando-se e dizendo em seu ouvido:

 

            -Você dança muito bem!

 

            -E você é linda... – Disse Morgan, sedutoramente.

 

            -Quer sentar em minha mesa? Estou sozinha.

 

            -É um convite irrecusável – Disse Morgan.

 

            A morena a pegou pela mão e a conduziu até uma mesa perto da pista. Morgan sentou e se apresentou:

 

            -Meu nome é Morgan, e o seu?

 

            -Carla. Seu nome é lindo, Morgan, como a dona.

 

            Morgan riu do elogio sem originalidade. Carla pousou a mão sobre a sua.

 

            -De onde surgiu, Morgan? Você possui uma classe nos modos e roupa, que se vê logo que não é desse meio.

 

            -Oh, obrigada... mas não sou mais que ninguém aqui – Mentiu.

 

            -Igual à você aqui, só Shane.

 

            -Quem é Shane? – Perguntou Morgan, cinicamente.

 

            -Aquela morena recostada no balcão, de blusão de couro – Respondeu Carla, indicando Shane com o queixo.

 

 

            -Oh, já vi... você a conhece bem?

 

            O rosto de Carla se encheu de rancor.

 

            -Eu a conheço bem demais! Ela me cantou uma noite, me levou para a cama, e no dia seguinte apareceu com uma outra mulher e nem me olhou! Eu a detesto agora!

 

            Morgan olhou para a moça com novo interesse. Uma ex-conquista de Shane! Mas que coincidência! Sua vingança teria novo sabor!

 

            -Quando vocês tiveram um romance?

 

            -Uns cinco meses atrás.

 

            -Oh, que mulher insensível! Deixar uma moça bonita como você sem nenhum motivo! – Disse Morgan, com reprovação.

 

            Carla a fitou deslumbrada.

 

            -Tudo bem, estou com uma mulher mais linda que ela! – Disse ela, inclinando-se para Morgan – Vamos para minha casa? Prometo à você que não vai se arrepender.

 

            Morgan a fitou com um sorriso malicioso.

 

            -Primeiro precisamos nos conhecer melhor, Carla...

 

            Carla sorriu, debruçando-se para ela, fitando sua boca.

 

            -Pois vamos nos conhecer melhor agora, tesão!

 

            A boca de Carla se esmagou contra a de Morgan, que conservou os olhos abertos, surpresa. Olhou para Shane.

 

            Shane as fitava com os olhos faiscando de ira, o rosto com uma expressão de ciúme que Morgan nunca tinha visto. Ela começou a se aproximar rapidamente e Morgan tentou interromper o beijo, mas Carla a agarrou pelos ombros, sugando sua boca como uma ventosa.

 

            Shane chegou diante da mesa e puxou Carla pelos ombros brutalmente, afastando-a de Morgan. O ciúme a mordia dolorosamente, era insuportável ver Morgan ser beijada por outra mulher. Estava furiosa com Morgan por ter permitido o beijo e a insultou entredentes:

 

            -Sua vagabunda!Qualquer mulher aqui tem mais classe que você!

 

            Morgan a fitou com raiva, pelo insulto. Rebateu no mesmo nível:

 

            -Não me chamo Shane, a vadia mais baixa que conheço!

 

            Shane a pegou pelo braço brutalmente, puxando-a .

 

            -Levante-se! Saia dessa mesa! 

 

            Morgan deu um safanão, libertando o braço.

 

            -Tire essa mão nojenta de mim, sua vadia! – Rosnou Morgan, entredentes.

 

            Carla ergueu-se  furiosa, fitando Shane.

 

            -Sua cadela, você precisa de uma lição! – Gritou, avançando sobre Shane com tapas e unhadas. Shane recuou surpresa, tropeçou numa cadeira e caiu no chão. Carla aproveitou e montou sobre ela, continuando a agredí-la. Shane tentava escapar, mas estava numa posição inferior, com ela montada no seu peito, e não podia evitar muito os golpes.

 

            Ao ver Shane caída no chão apanhando, toda a raiva de Morgan se esvaiu. Ela gritou, pegando Carla pelos cabelos, puxando-a para trás.

 

            -Largue-a! Covarde! Não vê que ela não pode defender-se, com você montada nela?

 

            Carla caiu para trás e olhou para Morgan sem entender. Ela estava defendendo sua agressora?

 

            Morgan ajoelhou-se e ajudou Shane a levantar-se, com uma expressão preocupada e carinhosa.

 

            -Levante-se, meu amor...eu ajudo você...

 

            -Deixe-me! – Disse Shane, erguendo-se – Não preciso de sua ajuda!

 

            Morgan olhou um corte sobre a sobrancelha de Shane, que sangrava. Pegou gardanapos na mesa e apertou contra o corte.

 

            -Vamos sair daqui.Esse lugar não serve para você – Disse Morgan, pegando-a pelo braço.

 

            Shane tirou um lenço do bolso do blusão e o apertou contra o corte.Morgan passou o braço pela sua cintura e Shane apoiou o braço nos ombros dela, saindo da danceteria. Os frequentadores riram de Carla, percebendo que tudo havia sido uma briga de ciúmes, gozando ela que ficara sobrando.

 

            Lá fora, Morgan olhou para Shane, sentindo uma grande ternura em vê-la toda arranhada, sangrando.

 

            -Vamos embora no meu carro. Você não pode dirigir a moto sangrando no rosto. Deixe-a guardada em algum lugar aí.

 

            Shane sorriu para ela.

 

            -Vou pedir ao porteiro para guardá-la. Ele me conhece e me fará esse favor.

 

            Shane deu uma boa gorgeta ao porteiro da danceteria, que guardou sua moto e foi embora no Porshe negro de Morgan.

 

            Elas foram para a nova residência de Morgan, um duplex luxuoso na rua mais sofisticada de Dallas. Morgan encheu a banheira e tomaram um banho acompanhado de champanhe, entre beijos, carícias e declarações de amor. A reconciliação se estendeu por toda noite, com elas se amando com uma renovada paixão. Finalmente esgotadas, adormeceram abraçadas, felizes por saberem que se pertenciam e se amavam contra qualquer obstáculo.

 

 

Epílogo

 

           Faz um ano que Shane e Morgan vivem juntas. A paixão entre elas continua intensa e o amor mais forte que nunca, mesmo entre uma briga e outra. Morgan é temperamental, ciumenta, mas o amor resiste às tempestades.

 

            Diane e Sean sempre atuam como agentes da paz entre elas, quando brigam. Ouvem suas queixas e dão idéias para se reconciliarem. Na verdade, as duas brigonas não sabem ficar muito tempo separadas. Basta se olharem, e uma corre para os braços da outra, pedindo mil desculpas.

 

            Diane largou o FBI e ajuda sua querida Sean a administrar a fazenda.Diane está feliz em voltar às suas origens no campo e adora acompanhar Sean pela pradaria, montada em Rain, um garanhão negro, presente de Sean.Os peões a respeitam pela sua coragem e pontaria, desde que enfrentou um enorme lince que estava matando bezerros e o capturou com um tiro certeiro de tranquilizante, colocando-o para dormir e ser transportado para um zoológico.Diane ensinou aos peões que só se matava um animal selvagem se realmente não havia nenhuma opção. 

 

A herança foi dividida e Shane montou uma gravadora de música country e um bar onde toca seu sax. O restante de seus bens, ela deixa para sua irmã administrar.Sua carreira de cantora está progredindo a largos passos. Seu cd “Shane e você” estourou na mídia e ela está sendo procurada por empresários ávidos para contratá-la. Mas Shane não quer ser uma estrela.Ela quer apenas tocar e cantar suas músicas sem muita pretensão, para o público restrito de seu bar. Ela foi apresentada à   cantora Shania Twain em um show e foi convencida  pela famosa cantora a tocar como convidada em sua próxima apresentação. Morgan está orgulhosa dela, e isso que a incentivou a aceitar o convite.

 

            Morgan dedica-se à sua Fundação de Artes e Ofícios para a juventude  e  à um albergue para animais, com veterinários e tratadores, que recolhe animais abandonados ou feridos .

 

            Cada uma respeita a atividade da outra e passado o tempo, os dois casais são bastante amigos. Morgan e a  Garota da Moto finalmente encontraram o seu lugar, o seu porto de paz e amor.

 

 

FIM

   

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